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Ossos da Ditadura

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O sistema vigente, comumente, nos impõe à busca compulsiva pelo estereotipo, e pouco a pouco pessoas se integram a essa ditadura. Preferem adaptar-se ao invés de sentir-se supostamente fora de seu hábitat social. Índices comprovam crescimento no número de pessoas portadoras de anorexia e bulimia, essas que podem afetar até 20% das adolescentes de todas as classes sociais. Adotadas como a nova moda, essas disfunções de comportamento põem em extinção o sentimento de compaixão pelo corpo, adorando a magreza insana.

O paciente anorético costuma usar meios pouco usuais para emagrecer. Além da dieta é capaz de submeter-se a exercícios físicos intensos, induzir o vômito, jejuar e fazer uso de laxantes e diuréticos. O bulímico, por sua vez, possui uma compulsão que o leva a alimentar-se em excesso e, em seguida, regido pelo sentimento de culpa, tenta "compensar" o ganho de peso exercitando-se de forma desmedida e expulsando de seu organismo tudo que comera, além de também utilizar purgantes excessivamente.

           Influenciados pela mídia, que padroniza a magreza absoluta como símbolo de beleza e elegância, parentes, vizinhos e amigos desenvolvem transtornos alimentares procurando se enquadrar nos valores estéticos da sociedade. Essa busca constante pela beleza irreal leva à falência de corpos fracos e mentes perturbadas que procuram a morte para calar sua dor.

Em vida, pseudo-amigos reúnem-se em comunidades de internet para compartilhar dicas, dietas e remédios em busca do sorriso no meio do caos. Supervalorizam corpos cadavéricos e os utilizam como inspirações. Projetam sua vida para a conquista de um baixíssimo Índice de Massa Corpórea (IMC), e acabam por baixar a auto-estima, vivendo no cárcere do padrão de beleza, sonhando um dia seu bem-estar e morrendo de inanição.

O tratamento da Anna (anorexia) e Mia (bulimia) torna-se cada vez mais difícil. As causas andam paralelamente, não há medicamentos específicos que restabeleçam a correta percepção da imagem corporal ou o desejo de perder peso nem antídoto eficaz para a falta de amor próprio.

            Espera-se que o mesmo sistema e famílias influenciadas pela dor reúnam-se em busca de sonhos reais, construídos com paciência. Que essa doença não passe de uma ligeira epidemia. E que a ditadura da beleza ganhe novos governantes dotados de compaixão e reais conceitos humanos.
 
Comentários (4)
1 Sábado, 27 Junho 2009 22:00
José Espírito Santo
Com o teu artigo, fiquei a conhecer melhor estas realidades. Mas o que está por detrás de tudo isso? moda? A pressão de ser igual? ou de ser diferente? Não serão fenómenos com causas últimas bem complexas? 
2 Domingo, 28 Junho 2009 15:02
Tatyanny Nascimento
Creio que posso responder com credibilidade, às tuas perguntas, pois já tive tal doença (não sei se quem já teve se liberta totalmente... então, ainda tenho – por a mesma ser “crônica”).            

O padrão estereotipado de mulher ideal talvez seja a principal causa, mas não a única... O fato é que as famílias e a própria sociedade ainda não sabem relacionar-se com essa “pandemia”, caracterizando-a como chulice. O que leva à paciente (hoje, existe maior número de mulheres, mas os homens estão em constante crescimento nessa escala) ao extremo sofrimento... Tentei ser a mais imparcial possível ao escrever.

O amor próprio é realmente algo difícil para quem está a sofrer de anorexia e/ou bulimia. As modelos mais ovacionadas estão muito abaixo de seu peso ideal, com IMC de 14, 15 ou 16... (o normal é entre 18,5 e 25). As atrizes mais famosas também são magras, a sociedade sem perceber, definiu um errado padrão de beleza. A cura é a busca do amor próprio... Mas ele se esconde em cofres ocultos e muito bem encobertos (pela sociedade).
3 Domingo, 28 Junho 2009 19:40
José Espírito Santo
Hummm... um errado padrão de beleza... o problema estará no errado ou no padrão?
4 Domingo, 28 Junho 2009 20:12
Tatyanny Nascimento
Na padronização...  Quando o padrão deveria ser, somente, um corpo são e uma mente sã.
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